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razão das nossas acções”. Os enfermeiros ex- • “O apoio psicológico, a disponibilidade, a
plicitam a mudança da seguinte forma: eficiência no trabalho.”
• “Há que explicar ao doente porque estamos • “Os medicamentos e a atenção que os en-
sempre a perguntar o VAS, e para que serve.” fermeiros prestam é que alivia a dor.”
• “Temos de ter a preocupação de explicar • “Gostei da preocupação dos enfermeiros, o
ao doente a melhor forma de colaborar no meu medo era a anestesia e o resultado da
alívio da dor, tocar sempre que comece a ter anatomia patológica.”
dor, mesmo que seja de noite, e dizer que Para alguns doentes, tal como para nós, foi
estamos por eles e para eles.” significativo sentirem-se parceiros no seu pro-
Ao longo deste percurso, fomos desenvolvendo jecto de cuidados:
um agir mais sensato e pensado, porque “não • “Perguntavam-me a dor, eu dizia o nº, eu de-
podemos fazer as coisas no ar, há que responder cidia se precisava ou não da medicação.”
concretamente ao que o doente precisa”. • “Senti-me compreendida, senti-me a falar
Conhecer a opinião dos doentes acer- uma linguagem comum a doentes e técni-
ca do projecto estava previsto como forma cos, o que é muito importante.”
de avaliação, mas desenrolou-se quando os Para nós enfermeiros, foi bastante signifi-
enfermeiros lhe encontraram sentido no seu cativo chegarmos ao fim do projecto com a
percurso individual e colectivo. A análise das noção de que a avaliação da dor do doente
respostas ao questionário permitiu-nos receber deixou de ser um fim e passou a ser um meio
o feed-back dos cuidados de enfermagem que para chegarmos junto do doente, para melhor
prestámos aos doentes. Destacamos com frases o compreendermos e cuidarmos de um modo
dos doentes e famílias que ilustram o impacto único.
do projecto. Partilhamos o sentimento de que seremos
Existe um controlo mais eficaz da dor: melhores enfermeiros se quisermos, se re-
• “A dor diminuiu e estava controlada.” flectirmos, se encontrarmos sentido para o
A comparação com os outros internamentos que somos e fazemos.
é inevitável:
• “Apesar desta vez sentir mais dores parece Bibliografia
que desaparecem mais rapidamente.” Collière MF. Promover a vida: da prática das mulheres de virtude aos
• “Das outras vezes não valorizavam tanto as cuidados de enfermagem. 2ª ed. Lisboa: Lidel 1999. ISBN 972-
757-109-3.
dores, mas desta vez, quase não se pensa Couceiro MLP. Autoformação e transformação das práticas profissionais
nela (a dor).” dos professores. Revista de Educação. Lisboa: Departamento de
Vêem os enfermeiros como profissionais Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade
Nova de Lisboa 1998:53-60. VII:2.
competentes. Valorizam a informação que lhes Edgar L. Soufrez-vous de codépendence? Nursing. Québec. 11:6
é dada: (Novembre/Décembre 1991) 54-58.
• “Ao informar o tipo de dor, ajuda a que seja Gouyou JF, Vidal C. La douleur post-opératoire aiguë de l’adulte: influence
minimizada”; de la conception sur la prise en charge. Recherche en Soins Infir-
miers 1998;53:87-92.
• “É preciosa (informação), pois permite sen- Oliveira, et al. O acompanhamento do doente no período perioperatório
tir-me mais confiante de que a dor pode ser pelo familiar ou pessoa significativa. Em: Ministério da Saúde: De-
controlada, e é um meio de dar a saber que partamento de Recursos Humanos da Saúde. Ensino de Enferma-
sofria e quanto.” gem: Processos e Percursos de Formação. Balanço de um Projecto.
Lisboa: Departamento de Recursos Humanos da Saúde 2000.
• “A equipa de enfermagem actuou de acordo Perrenoud P. A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização
com as dores.” e razão. Porto Alegre: Artmed Editora 2002.
Reconhecem que os enfermeiros foram mais Plano Nacional de Luta contra a Dor. Direcção Geral da Saúde. Ministério
da Saúde. Lisboa-Portugal 2001.
além, e atenderam a outros factores fundamen- Walsh M. Nursing rituals, research and rational actions. Oxford: Buttrewar-
tais no alívio da dor: th-Heinemann 1989.
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