Page 21 Volume 12, Número 3, 2004
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Dor (2004) 12
e, devido a efeitos sinérgicos ou aditivos, melhora a antinoci- Patient controlled analgesia (PCA)
cepção e diminui a gravidade dos efeitos laterais de cada A patient controlled analgesia representa um grande avan-
fármaco.
ço na analgesia pós-operatória, relativamente ao uso de opi-
óides por via intramuscular. O custo das bombas de PCA e
Analgésicos simples os receios relativamente à segurança são talvez as principais
– Paracetamol é um analgésico com fracas propriedades razões para a sua menor utilização. A adequada formação de
anti-inflamatórias que modula a produção de prostaglan- médicos e enfermeiros e o desenvolvimento de protocolos,
dinas no SNC. Actualmente encontra-se em estudo a bem como a existência de uma unidade de dor aguda são
possibilidade de actuação a nível de uma enzima pre- requisitos importantes e que poderão contribuir para alargar
sente no SNC, a COX-3. o uso de PCA.
– Pode ser administrado por via e.v., oral e rectal. A PCA deve ser encarada como complemento de outras
– Deve ser administrado com intervalos regulares e nunca formas de analgesia e só em situações particulares será a
em SOS, como analgésico isolado. única ou a mais importante forma de analgesia. A sua parti-
– A sobredosagem pode provocar necrose hepática. cularidade mais importante é a de ser o doente que controla,
– Existe em compostos associado a opióides fracos (p. ex. no pós-operatório, as suas próprias administrações, após pré-
com a codeína). via explicação.
Há vários fármacos que podem ser utilizados na analgesia
por PCA, mas o mais comum é a morfina na concentração
Anti-inflamatórios não esteróides de 0,1%.
– Provocam inibição da enzima ciclo-oxigenase.
– Reduzem a produção de prostagladinas, prostaciclinas Pârametros a programar na seringa de PCA
e tromboxano.
– Possuem efeito analgésico central, embora fraco, e di- – Concentração: 1 mg/ml.
minuem as necessidades de opióides. – Bolus: dose que o doente recebe quando pressiona o
– Têm efeito tecto, ou seja, a partir de uma determinada botão de pedido do fármaco. Geralmente dose de 1 mg
dose, incrementos só produzem efeitos laterais sem re- a 1,5 mg. Esta dose pode ser aumentada ou diminuída
percussão analgésica. 25 a 30% em função da ineficácia ou de eventuais efei-
– Efeitos laterais: irritação da mucosa gástrica e ulceração, tos secundários.
precipitação de broncospasmo em asmáticos, alteração – Lockout ou período de interdição: é o tempo durante o
da função renal, disfunção plaquetária e hemorragia. qual não é administrada nenhuma dose do fármaco mes-
mo que o doente efectue pedidos. Entre 5 a 10 min.
– Dose limite horária: dose limite horária ou de 4 h, cons-
Opióides titui uma forma de vigilância mais do que um limite ao
– Os mais usados são a morfina e a meperidina. consumo do fármaco. A sua fixação exige vigilância re-
– A meperidina tem cerca de 10% da potência analgésica gular de forma a adaptá-la às necessidades reais do
da morfina. doente. A sua fixação não é obrigatória. Quando é utili-
– Os opióides actuam nos receptores µ da medula e do zada deve ser ajustada em função da idade do doente
cérebro. e do tipo de cirurgia. Geralmente, para um adulto médio,
– Os receptores µ 1 são responsáveis pela analgesia e os varia entre 4-5 mg/h, ou seja, 16-20 mg/4 h.
µ 2 pela depressão respiratória. – Bolus inicial: corresponde à fase de tratamento pós-ope-
– Efeitos laterais: sedação, nauseas e vómitos, prurido, ratório em que é administrada morfina e.v., um bolus de
atrazo no esvaziamento gástrico, obstipação, retenção 2-5 mg de forma a atingir uma concentração plasmática
urinária. que permita ao doente estar confortável em termos de
dor (dor ligeira ou EVA < 3). Posteriormente, a técnica
Vias de administração dos opióides de PCA irá permitir ao doente manter esta concentração
plasmática eficaz.
– Oral: disponíveis as formas orais de tramadol, codeína,
dihidrocodeína e morfina.
– Intramuscular: o alívio da dor surge por picos e de- Exemplo de um protocolo de PCA
pressões. – Fármaco: morfina.
– Endovenoso: é fiável mas pode resultar em sedação e – Concentração: 1 mg/ml (0,1%).
depressão respiratória. – Dose PCA: 1 mg (1 ml).
– Patient-controlled analgesia (PCA): o doente determina – Lockout: 7 min.
as suas necessidades analgésicas. – Loading: 0 mg.
• O período lock-out evita sobredosagens acidentais. – Limite máximo: 50 mg.
• É seguro uma vez que a sedação surge antes da de- – Limite 4 h.
pressão respiratória.
– Neuroeixo (via intratecal ou epidural). Duração do tratamento
• São geralmente usados opióides lipossolúveis.
• Boa analgesia com risco diminuído de efeitos laterais. Caso não sejam dadas orientações específicas, a PCA
deve ser retirada às 48 h, no máximo às 72 h, dependendo
Anestésicos locais da avaliação da dor e das necessidades de fármaco analgé-
sico demonstradas pelo doente. Em situações excepcionais,
– Bloqueiam os canais de sódio das fibras nervosas e, poderá permanecer para além deste período.
portanto, a transmissão dos impulsos nervosos.
– Também bloqueiam as fibras simpáticas e as motoras.
DOR – Podem ser usados na infiltração das feridas operatórias, Analgesia epidural
Uma das modalidades analgésicas mais importantes e efi-
20 por via epidural ou intratecal ou ainda no bloqueio de cazes no controle da dor aguda pós-operatória é a analgesia
nervos periféricos ou de plexos.
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