Page 22 Volume 12, Número 3, 2004
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M. Guinot: Dor Aguda Pós-operatória: a Importância das Unidades de Dor Aguda
epidural com opióides e/ou anestésicos locais. Infelizmente, organizar um programa de acção que envolva todo o depar-
várias questões têm limitado a sua aplicação de uma forma tamento de anestesia, deve ter uma dinâmica multidisciplinar
mais abrangente, como por exemplo: e deve promover actividades formativas.
– Tempo necessário para iniciar e supervisionar o trata- A unidade de dor aguda deve responsabilizar-se pela visi-
mento. ta regular dos doentes sob os seus cuidados. Em cada doen-
– Falta de programas e protocolos interdisciplinares. te, devem ser avaliadas a qualidade da analgesia, a dose
– Medo da depressão respiratória. analgésica eficaz e efeitos laterais. Um dos elementos da
Tendo em conta estas questões, qualquer programa em que unidade de dor aguda deve estar sempre contactável para
a analgesia epidural seja incluída deve apresentar guidelines observar doentes com dor de difícil controlo, tratar complica-
para que a segurança seja primordial. Alguns dos aspectos a ções e, ainda, responder a dúvidas dos enfermeiros ou dos
seguir são: cirurgiões.
– Selecção cuidada dos doentes, adaptando as doses de O grau de satisfação dos doentes é, também, um parâme-
opióides à idade e estado físico do doente. tro a ter em conta e reconhecido como válido na avaliação do
– Follow-up regular por um médico da unidade de dor outcome, em múltiplos estudos.
aguda. De modo a evitar complicações ou acidentes é estritamen-
– Formação do staff de enfermagem quanto à utilização e te necessário que, relativamente aos doentes sob PCA ou
riscos dos opióides, incluindo técnicas de monitorização analgesia epidural, todas as prescrições de analgésicos, se-
que permitam a detecção precoce da depressão respi- dativos, hipnóticos ou outros depressores do SNC sejam feitas
ratória. pela unidade de dor aguda.
– Elaboração de protocolos para a prescrição de opióides
epidurais e para medidas imediatas a serem tomadas Protocolos
pela enfermagem, se surgirem complicações.
A existência de protocolos ou guidelines facilita a interven-
ção analgésica e promove a segurança. Podem ser apenas
Métodos não farmacológicos recomendações passíveis de serem aceites ou não, ou até
Existem opções não farmacológicas que podem ser utiliza- modificadas mediante o contexto clínico, mantendo a liberda-
das como métodos coadjuvantes no tratamento da dor. Os de de prescrição do médico.
agentes físicos, como o calor ou frio, superficiais, as massa-
gens, o exercício ou, por vezes, a imobilização são bons Bibliografia
exemplos, bem como os métodos cognitivo-comportamentais,
que incluem a acupunctura, as técnicas de relaxamento e, não American Society of Anesthesiologists Task Force on Pain Management,
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