Page 26 Volume 12, Número 3, 2004
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Dor (2004) 12 R. Pacheco, et al.: Analgesia Controlada pelo Doente (PCA) na Prática Clínica: o que os Enfermeiros Devem Saber


Artigo de opinião
Analgesia Controlada pelo Doente

(PCA) na Prática Clínica:


o que os Enfermeiros Devem Saber

1
2
Ricardo Pacheco , Francisco Melo Bento , Maria Teresa Flor de Lima 3



Resumo
Procuramos abordar a temática da PCA, interligando-a com a prática diária dos enfermeiros, sendo este
trabalho de cariz bibliográfico.
A orientação adoptada no trabalho consiste na definição do que é a PCA, como técnica que permite ao doen-
te auto-administrar doses fracas de opióides, por via e.v., s.c. ou epidural, através de uma bomba perfusora
computorizada, realçando o mecanismo terapêutico que esta técnica faculta ao conseguir manter a concen-
tração analgésica mínima eficaz com segurança e comodidade para todos os envolvidos no processo.
Referimos, ainda, as vantagens mais documentadas desta técnica, salientando-se um menor tempo de de-
mora entre a percepção da dor e o seu alívio, situação que culmina num maior grau de satisfação por parte
do doente, com uma diminuição da ansiedade, e, mais tarde, uma melhor mobilidade e aceleração da recu-
peração, mas também na satisfação dos profissionais pela redução do tempo dispendido pelos enfermeiros
na administração e monitorização da analgesia.
Não se limitando apenas às vantagens, entendemos ser pertinente, de forma breve, referir em que situações
este método se encontra indicado ou contra-indicado, sublinhando-se que é o doente o protagonista central
do tratamento da dor. Procurando fechar o assunto de forma consistente, são descritos os parâmetros da
bomba da PCA, com vista a formar uma ideia global da mesma: dose de carga; dose de bolus; intervalo de
segurança; dose máxima por hora ou por quatro horas; perfusão contínua.
Visto que este trabalho visa a formação de enfermeiros, a segunda parte do mesmo consiste nos cuidados/in-
tervenções de enfermagem ao doente com PCA, no período de pré- e pós-operatório. No primeiro, valoriza-se
o ensino ao doente sobre o manuseio da PCA, procurando optimizar os resultados no pós-operatório. O
ensino abrange situações desde o exibir ao doente a máquina, dando ênfase ao manípulo, instruções de uso
(verbais ou escritas), o dissipar de preocupações e medos que possam vir a ter, até ao ensino de como
utilizar os instrumentos de avaliação da dor com os quais será confrontado para a monitorização da dor e,
consequentemente, da qualidade analgésica instituída.
As intervenções de enfermagem durante o pós-operatório resumem-se, principalmente, na prevenção/des-
piste de efeitos secundários dos opióides, na monitorização da eficácia da analgesia, bem como o despiste
das complicações associadas à PCA (problemas mecânicos com a bomba, erro do operador).
As linhas orientadoras deste trabalho serviram de suporte para a já iniciada formação sobre PCA aos enfer-
meiros do HDES, que cuidam doentes com dor aguda e/ou crónica, visando a formação de um grupo de
trabalho com intervenção directa nessa área.
Palavras chave: Analgesia controlada pelo doente. PCA. Formação de enfermeiros. Ensino pré-operatório.

Abstract
The authors organized a Nurse Group to teach about patient controlled analgesia. The aim of this work is to
review the technical definition, indications and contra-indications, the machine supervision and how to inform
the patient before surgery.
At the same time, are discussed the information to the patients and the rules for nurses in order to ensure
the safety and monitoring of the technique. The teaching, training and practice of these rules started between
groups of nurses of surgical departments, oriented by pain nurses and supervised by the Pain Unit’s staff.
Key words: Patient controlled analgesia. PCA. Nurses teaching. Patient information.




1 Enfermeiro do Serviço de Cirurgia Geral Correspondência:
2 Assistente Hospitalar de Cirurgia Geral, destacado na Equipa Ricardo Pacheco
Multidisciplinar da Unidade de Dor. Coordenador do projecto Unidade de Dor do HDES
3 Chefe de Serviço de Anestesiologia Av. D. Manuel I DOR
Coordenadora da Unidade de Dor. Coordenador do projecto 9500-370 Ponta Delgada, S. Miguel. Açores
E-mail: unidor_hdes@hotmail.com 25
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