Page 27 Volume 12, Número 3, 2004
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Dor (2004) 12
Introdução Contra-indicações para o uso da PCA
A analgesia controlada pelo doente (Patient Controlled Para além das contra-indicações associadas ao uso da
Analgesia – PCA) é uma técnica analgésica que permite ao morfina ou outros opióides, podem-se resumir:
doente auto-administrar doses fracas de opióides, via e.v., s.c. – Recusa do doente.
e epidural sempre que necessite, pressionando um manípulo – Dificuldade em compreender a técnica (extremos de
de um dispositivo computorizado que incorpora uma bomba idade, doentes com limitações psicomotoras).
perfusora, sob condicionalismos programados pelo médico e – Impossibilidade de assegurar uma vigilância adequada
que são assegurados pela máquina. por parte da equipa de enfermagem.
A PCA, para além de conseguir manter a concentração – Doentes com insuficiência renal, respiratória, hepática e
sanguínea de analgesia dentro do “corredor analgésico”, pos- coronária é necessário garantir uma vigilância mais fre-
sui outras características que lhe são muito genuínas. A pri- quente e recorrer a técnicas instrumentais de monitori-
meira prende-se ao facto de ser o próprio doente aquele que zação.
avalia o nível de dor suportável, facultando-lhe a possibilidade
de requerer bolus de analgesia para além da perfusão contí- Parâmetros da bomba
nua de base, podendo esta mesma ser reajustável, reduzindo,
desta forma, o tempo necessário ao alívio da dor, controlando A PCA permite a administração de opióides feita sob con-
a qualidade da analgesia. trolo médico. Os parâmetros a fixar na bomba são:
Comparativamente a injecção e.v. de doses baixas de opi- – Dose de carga: O início da PCA deve ser precedido de
óides, a PCA permite ao doente controlar o consumo de fár- uma dose de impregnação endovenosa que faça com
maco, em função da sua sensibilidade dolorosa, reduzindo que a concentração sérica do fármaco se situe dentro
substancialmente os efeitos adversos dos opióides. do corredor analgésico.
Outro pilar específico da PCA é o facto de este procedi- – Dose de bolus: Corresponde à dose que o doente rece-
mento fornecer mais um critério de avaliação da dor através be quando pressiona o manípulo. Tal dose não deve ser
da verificação da dose total do fármaco administrado, núme- muito alta, de modo a prevenir o aparecimento de efeitos
ro de bolus efectuados e o número de bolus pedidos pelo secundários, todavia deve ser suficiente para que o do-
doente. ente sinta os seus efeitos benéficos.
– Intervalo de segurança: Corresponde ao período du-
rante o qual o doente não pode receber qualquer bolus
Vantagens da PCA de analgésico, mesmo que pressione o botão. Este
As vantagens da PCA em relação a outros métodos con- período de tempo é determinado em função da demora
vencionais são reconhecidos e confirmados e, para além do na obtenção do pico de analgesia do fármaco utilizado,
alívio físico, interfere de forma positiva em aspectos psicoló- não devendo ser nem demasiado longo, para evitar o
gicos e emocionais do doente, com consequências benéficas desagrado do doente, nem demasiado curto, para evi-
no desenrolar do seu quadro clínico, verificando-se uma opti- tar a sobredosagem.
mização da analgesia. Tal deve-se ao facto de se verificar um – Dose máxima por hora ou por períodos de 4 h: Faci-
menor tempo de demora entre a percepção da dor e o seu lita mais a vigilância, do que a limitação de consumo de
alívio, mantendo-se, desta forma, as concentrações plasmáti- analgésico no tempo.
cas com eficácia analgésica, dentro da margem de segurança – Perfusão contínua: A implementação da perfusão asso-
e de forma constante. ciada ao regime de PCA é uma questão que dá azo a
Com um bom controlo da dor, assim como evidenciaram alguma controversa. No entanto, os defensores dessa
vários estudos realizados, dá-se um rápida recuperação de modalidade preconizam o seu uso, no sentido de confe-
ventilação normal, temperatura corporal e mobilização, acele- rir maior estabilidade analgésica, não permitindo, desta
rando a recuperação do doente. forma, que as concentrações desçam abaixo do corre-
Também se demonstrou que a utilização da PCA revelou dor analgésico, situação esta que podia acontecer em
uma poupança de tempo considerável por parte dos elemen- momentos como períodos de sono do doente.
tos da equipa de enfermagem, facultando espaço de manobra
para os mesmos poderem aplicar outras técnicas não farma- Cuidados de enfermagem no pré-operatório
cológicas no tratamento da dor.
Como se encontra documentado em diversa bibliografia,
no período de pré-operatório, as prescrições de enfermagem
Indicações para o uso da PCA devem, essencialmente, centrar-se num correcto e capaz en-
As indicações para o uso da PCA são determinadas pela sino ao doente ao qual se programa a implementação de uma
necessidade de se administrar opióides por via e.v. ou epidu- PCA. Um correcto ensino ao doente, no período do pré-ope-
ral no pós-operatório, sendo as cirurgias mais dolorosas, tais ratório, pode optimizar o melhor uso da PCA e, por conse-
como cirurgia ortopédica, torácica, digestiva e pélvica, os quência, melhorar o alívio da dor no pós-operatório, evitando,
cenários de eleição para a implementação deste tipo de anal- desta forma, problemas que os doentes possam vivenciar
gesia. quando pouco preparados para a técnica da PCA.
A utilização da PCA não só aumenta o conforto e satisfa- O dispositivo da PCA deve ser exibido ao doente, especial-
ção do doente, diminuindo-lhe a ansiedade (medo de sofrer, mente o botão de accionar o bolus, exibição esta que deve
de só receber analgésicos após pedidos insistentes, muitas ser acompanhada pelo informar, por parte dos enfermeiros,
vezes com grande atraso), como aumenta a satisfação por das instruções de uso do equipamento de forma segura e
parte da equipa de enfermagem. Envolver o doente no tra- eficaz. Com a familiarização do doente com o método, procu-
tamento da sua dor, optimizando a sua intervenção no pós- ra-se fazer com que o desconhecido se dissipe junto do do-
operatório, integra-o na equipa de cuidados. ente, tornando-o, desta forma, um membro activo do tratamen-
Embora não seja uma indicação em si para o uso da PCA, to da sua provável dor no pós-operatório, diminuindo-lhe a
é importante apontar pontos-chave como, por exemplo, equi- ansiedade. Os enfermeiros, ao fornecerem informações no
DOR pamento adequado, recursos humanos treinados e a existência pré-operatório, devem procurar eliminar as preocupações dos
de organização/dinâmica institucional (Unidade de Dor Aguda),
doentes, que passam pela sobredosagem e adição, devendo
26 para que o sucesso da PCA seja um dado adquirido. estes medos ser devidamente esclarecidos. Qualquer instru-

