Page 29 Volume 17 - N.1 - 2009
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Dor (2009) 17
– «Formar uma parceria com os profissionais disso, as diferentes soluções são apresentadas
de saúde» traduz a colaboração entre o sumariamente e aquelas que estão repetidas
paciente e os elementos da equipa de saú- são eliminadas. Segue-se a discussão no grupo
de que lhe presta cuidados directos e entre e, no final, as soluções encontradas são priori-
os vários profissionais de saúde envolvidos zadas em relação à questão inicial. Outra pos-
com vista à discussão, definição e imple- sibilidade é a análise de incidentes críticos, que
mentação do plano de controlo de dor. se centra na posterior reconstrução diária da
– «Receber um controlo de dor eficaz» é o experiência do paciente. Pede-se, por exemplo,
mesmo que ter um plano que resulta, é sim- para que este anote o que foi importante, notá-
ples e onde as medidas implementadas vel, estranho e preocupante.
funcionam rapidamente e os seus efeitos Todas estas metodologias podem preceder
colaterais são controlados; os profissionais (por exemplo, no desenvolvimento de pré-testes
de saúde demonstram ter conhecimentos para medidas de satisfação mais adequadas),
para desenhar e implementar este plano. ser utilizadas em simultâneo (evitando, por
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O mesmo estudo apontou também as se- exemplo, o sub-relato de alguns itens relaciona-
guintes fontes de insatisfação: dos com a satisfação com o controlo da dor) ou
– Comunicação pobre por parte dos profissio- suceder a um método quantitativo (partindo, por
nais de saúde, com falta de informação re- exemplo, de uma amostra específica abordada
lacionada com os aspectos clínicos, ques- com determinado questionário e, com os mes-
tões não completamente respondidas e mos sujeitos, aprofundar o sentido das questões
explicações limitadas sobre as formas de quantitativas).
controlo da dor e seus efeitos colaterais.
– Ausência de focalização no paciente. Quando se deve estar atento
– Quantidade de tempo dedicada ao pa- O timing da avaliação é crucial. Quando mais
ciente. longo for o intervalo entre a experiência e a en-
– Não dar crédito/não validar a dor do pa- trevista ao paciente maior é a probabilidade de
ciente. se encontrarem vieses, de os pacientes subesti-
– Não ser bem tratado. marem itens que foram relevantes para si duran-
– Não existir um plano para o controlo da dor te a experiência de cuidado e de se modificarem
ou este não ser eficaz (por exemplo, para as suas apreciações acerca dos serviços.
alguns pacientes, a transição de uma tera-
pêutica endovenosa ou epidural para uma
terapêutica oral é problemática, quer por Conclusão
falta de comunicação, quer por falta de alí- A satisfação humana traduz-se num conceito
vio durante a transição). complexo que se relaciona com vários factores,
– Demora na aplicação das medidas para incluindo o estilo de vida, as experiências pas-
controlo da dor (a este nível, por exemplo, sadas, as expectativas, os valores individuais e
os pacientes dizem ficar mais satisfeitos socioculturais e as características sociodemo-
quando o atraso está justificado e essa jus- gráficas.
tificação lhes é adiantada). A satisfação com os sistema de saúde é um
conceito derivado e constitui-se como um domí-
nio conceptual coerente. Assim sendo, qualquer
Como se pode estar atento abordagem nesta área deve procurar não só as
Existem metodologias específicas para elicitar fontes de satisfação, mas também as de insatis-
a experiência dos pacientes a este nível. Carr- fação. A satisfação/insatisfação pode variar am-
Hill propõe a utilização de entrevistas com plamente, e pode ser definida de forma distinta
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questões mais abertas ou o recurso a técnicas por diferentes pessoas e pela mesma pessoa de
mais estruturadas e, por isso, mais exigentes diferentes modos em diferentes circunstâncias.
como os grupos de foco, onde um grupo de 8 Esta variabilidade levanta dúvidas sobre a utili-
a 12 pacientes, relativamente homogéneo, que dade de definir este constructo como um con-
tenha passado por uma experiência operatória ceito unitário.
recentes, discuta, de forma não estruturada e As orientações dominantes nos países ditos
natural, o tema da satisfação com o controlo da desenvolvidos, ou em vias de desenvolvimento,
sua dor no pós-operatório; este discussão é têm vindo a enfatizar a soberania do paciente e
orientada por um facilitador e os resultados ano- a importância das abordagens centradas neste.
tados por um ou mais observadores (situados, Assim, a prestação de cuidados deve reflectir as
eventualmente, atrás de um espelho) ou regista- suas necessidades e preferências, pelo que a
dos em suporte de som e imagem. Uma varian- sua satisfação deve ser tida em conta como um
te desta abordagem é a formação de grupos resultado deste processo. Assumindo estes
nominais, onde os participantes escolhidos par- pressupostos, deve considerar-se a satisfação
DOR tilham as suas ideias por escrito, de modo inde- do paciente como um dos objectivos mais im-
portantes e uma das garantias de qualidade de
pendente, e sem qualquer tipo de orientação
28 externa, antes da discussão do grupo. Depois maior relevo.

