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M.B. Cattoni Vacas: Papel da Radiocirurgia no Tratamento da Dor Crónica
Quadro 1. Series radiocirúrgicas publicadas sobre NT
Estudo(ano) Doentes Equipamento Seguimento Sem dor, Disfunção Recorrência
(n) (meses) não medicados trigeminal †
Kondziolka, et al. 2010 503 GK 24 40 10,5 43
Villavicencio, et al. 2008 95 CyberKnife TM 24 ‡ 50 47 31 © Permanyer Portugal 2012
Longhi, et al. 2007 160 GK 37 ‡ 61 9,5 18
Pusztaszeri, et al. 2007 17 LINAC 12 ‡ 35 6 29
Regis, et al. 2006 100 GK 12 58 10 34
Fountas, et al, 2006 77 GK 12 73 16 NS
36 40
Sheehan, et al. 2005 151 GK 12 47 9 27
36 34
Brisman, et al. 2004 293 GK 23 ‡ 22 13 24
Petit, et al. 2003 96 GK 30 ‡ 42 7 29
Pollock, et al, 2002 117 GK 12 57 37 23
36 55
Maesawa, et al. 2001 220 GK 22 ‡ 40 10 14
University of Virginia, 2008 172 GK 12 50 22 59
36 41
*Mínimo número de meses.
† Incluindo parestesias facias, disestesias, hipoestesias ou hiperestesias, de novo ou agravadas.
‡ Mediana/Media.
GK: Gamma Knife; LINAC: Acelerador Linear; NS: Não especificado.
relacionados com uma distância menor entre o da face ipsilateral é suave, e frequentemente
alvo e o tronco encefálico, com uma dose de não é notada pelo paciente.
radiação elevada recebida no tronco e com o Como em todos os procedimentos radiocirúrgi-
desenvolvimento de dormência facial após o tra- cos, há um intervalo de latência para a resposta Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação.
tamento. Outros grupos, pelo contrário, preferem esperada, com alívio/ausência de dor obtidos num
a radiação mais direcionada para o ponto de tempo médio de quatro semanas após a RCGK. Os
contacto entre a ansa vascular que comprime e pacientes devem ser avisados para não diminuírem
o próprio nervo trigeminal. O segmento exato do a medicação até sentirem um alívio significativo da
nervo a ser tratado em caso de tratamento repe- dor. Nas séries de Pollock, et al., o alívio completo
tido por recorrência da dor, permanece ainda da dor ocorreu numa média de três semanas
bastante controverso. (1-20 semanas). De acordo com Regis, o alívio
A dose máxima usada está entre 70-90 Gy. A inicial da dor ocorreu numa média de 10 dias (du-
ausência de dor e a redução de recorrências ração: 2-5 semanas). Em outras séries, a latência
são observadas quando as doses mais altas são estendeu-se a oito semanas após a radiocirurgia.
administradas. De qualquer modo, doses que Muitos pacientes com alívio parcial da dor no
excedem os 90 Gy têm sido relacionadas com início, vão continuar a verificar melhorias no con-
um risco acrescido de complicações pós-radio- trolo da dor. Quinze por cento dos pacientes que
cirúrgicas. não atingiram controlo da dor num ano, não atin-
Após um tratamento radiocirúrgico, o acompa- giram melhorias clínicas após a radiocirurgia, o
nhamento clínico em intervalos de 3-6 meses, é que mostra que um ano pode ser o tempo indi-
fundamental. Deve obter-se uma RM nos 6-12 cado para medir a verdadeira eficácia da radio-
meses após a radiocirurgia, e a avaliação deve cirurgia em pacientes com NT.
incluir um exame neurológico completo. A fun-
ção do nervo trigeminal pode ter correlações
significativas com o prognóstico: o desenvolvi- Resultados
mento de uma nova perda sensorial facial está Os resultados variam bastante, com alívio da
relacionada com a conquista e manutenção do dor inicial que oscila entre 35 e 100%. A condi- DOR
alívio da dor. Esta diminuição sensorial na distri- ção de ausência de dor duradoura varia entre
buição do nervo tratado, numa pequena região 28,8 e 75% (Quadro 1). 23

