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Resumo das séries radiocirúrgicas neste grupo, comparado com 84% de melhoria
contemporâneas para a neuralgia trigeminal em pacientes com dor típica. Os pacientes com
– Sheehan, et al.: alívio total da dor sem me- dor facial atípica representam frequentemente
um grupo com diferentes tipos de doenças sub-
dicação em 47, 45 e 34% dos pacientes e jacentes. O tratamento com RCGK no contexto
alguma melhoria da dor em 90, 77 e 70% de esclerose múltipla tem sido feito com taxas
dos pacientes após um, dois e três anos mais baixas de sucesso. O grupo de Regis, et
após a radiocirurgia, respetivamente. al. descobriram uma maior incidência de ausên- © Permanyer Portugal 2012
– Maesawa, et al.: 220 pacientes com NT idio- cia total de resposta, em casos de esclerose
pática com um acompanhamento médio de múltipla, 42,9% comparado com 12,8% na neu-
22 meses (6-78 meses). Alívio total da dor ralgia típica. Uma investigação mais aprofunda-
sem medicação no acompanhamento inicial da é necessária para avaliar o sucesso a longo
em 47,7% e no último acompanhamento em prazo e a toxicidade (em particular o desenvol-
40% dos pacientes. vimento de hemi-hipoestesia facial) de RCGK
– Pollock, et al.: 117 pacientes consecutivos em pacientes com esclerose múltipla. Os resul-
de NT que foram submetidos a RCGK e tados de RCGK na NT secundária a tumores da
que foram acompanhados durante 26 me- base do crânio (meningiomas, schwannomas)
ses (1-48 meses) sem dor sem medicação têm variações significativas. Pollock, et al. re-
em 57 e 55% em um e três anos, respeti- portaram resultados de alívio total da dor sem
vamente. medicação em 50% dos pacientes com uma
– Regis, et al.: 100 pacientes com neuralgia taxa de recorrência de 21%. Chang, et al. repor-
trigeminal tratados com RCGK com um taram resultados de alívio total da dor sem me-
acompanhamento mínimo de 12 meses. dicação em apenas 24% dos pacientes e uma
Um total de 58 pacientes não tinha dor sem taxa de recorrência de 50%. Pelo contrário,
medicação, 24 pacientes não tinham dor numa série de 53 pacientes, Regis, et al. obser-
com medicação e nove pacientes obtive- varam que 78% dos pacientes não tinham dores
ram frequentes reduções de dor maiores do sem medicação e uma taxa de recorrência mui-
que 90%. to baixa, de 7,8%.
A eficácia de um tratamento radiocirúrgico re-
Fatores relacionados com um tratamento petido é quase semelhante à eficácia do proce-
bem sucedido dimento inicial, com taxas de alívio total ou par-
A radiocirurgia parece ser mais eficaz quando cial da dor, de 78 a 85%. De qualquer modo, a
usada como uma modalidade inicial e não como repetição de RCGK é associada a um risco
um tratamento de último recurso, para pacientes acrescido de dormência facial.
com NT. Segundo Hasegawa, et al., os pacien-
tes que se submeteram a radiocirurgia após
uma descompressão microcirúrgica sem suces- Complicações
so, tiveram taxas elevadas de recorrência, com A complicação mais relevante da radiocirur- Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação.
apenas 60% a manterem um alívio total da dor gia na neuralgia do V par é, sem dúvida, a
em um ano, 53% em dois anos e 33% em cinco dormência facial ou disestesia dolorosa, cuja
anos. incidência varia de 0 a 57%. Existe uma asso-
Regis, et al. mostraram 88% de alívio da dor ciação entre doses de radiação mais elevadas
em um ano em pacientes sem cirurgia prévia, e o risco de disfunção trigeminal. Também há
82, 80 e 75% em pacientes com uma, duas ou uma forte correlação entre o desenvolvimento
três intervenções cirúrgicas anteriores, respeti- de uma nova perda sensorial na hemiface e
vamente. a manutenção do alívio da dor. Um resultado
Pollock, et al. referem resultados excelentes excelente de alívio total da dor verificou-se
em 67% dos pacientes não previamente opera- 4,5 mais vezes em pacientes com novos défices
dos, em três anos, comparado com 51% em um trigeminais.
ano e 46% em três anos em pacientes com uma O aparecimento de disestesia dolorosa pós-
cirurgia prévia à RCGK. -RCGK parece estar relacionada com:
Os pacientes que apresentam na RM contato – História de cirurgia prévia.
entre um vaso sanguíneo e o V nervo, têm uma – Dose de radiação.
resposta particularmente favorável à radiocirur- – Número de tratamentos repetidos.
gia. Também há uma relação com a idade mais – Tempo entre tratamentos de radiocirurgia.
jovem dos pacientes e com a extensão do nervo Os casos de anestesia dolorosa, ausência de
trigeminal irradiado, com melhores resultados reflexo córneo e hiperestesia na primeira divisão
em casos de segmentos mais longos. do nervo trigeminal após radiocirurgia, são pou-
Os resultados na dor facial atípica não estão co frequentes.
tão bem definidos na literatura, sendo reporta- Taxas observadas de recorrência após a ra-
DOR dos como tendo um prognóstico mais reservado diocirurgia para a NT oscilaram entre 5 e 42%,
sendo frequentemente recomendado o trata-
quando o tratamento radiocirúrgico é usado,
24 com apenas 44% de melhoria dos sintomas mento repetido após recorrência, principalmente
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