Page 19 Volume 20 - N4 - 2012
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Dor (2012) 20
© Permanyer Portugal 2012
Figura 2. Arrancamento e fibrose.
Figura 3. DREZ Lombar.
Raízes presentes ou avulsas, existência ou não Não há praticamente lugar a eventos tardios de
de gliose, existência ou não de cavidades sirin- desaferenciação e de dor de novo. Pode ser
gomiélicas (Figs. 4 e 5). Em segunda linha estão usada na dor de origem benigna.
os níveis topográficos. A nível cervical as raízes A drezotomia é particularmente eficaz na dor
estão separadas (Fig. 6), a nível lombar a orga- após avulsão do plexo braquial ou após avulsão
nização é menos constante e as raízes estão do plexo lombar, esta última muitas vezes negli-
sobrepostas (Fig. 7). A própria posição do cone genciada. Nestas situações há aparentemente
é menos favorável. uma hiperatividade (firing) das células do cordão
O apoio neurofisiológico é desejável e desti- posterior, que responde muito bem a esta interven-
na-se essencialmente à confirmação dos seg- ção. A dor paroxística ou a alodinia são os tipos
mentos. Faz-se por estimulação bipolar, é sim- de dor que melhor cedem, não sendo expectável
ples, mas pode consumir bastante tempo influência sobre a dor contínua tipo queimadura
operatório. A nível do cone, a identificação das ou a dor muscular profunda.
raízes é mais difícil quer anatómica quer funcio- Outra indicação é a nevralgia herpética, se a
nalmente. Nos casos em que há apagamento componente de dor paroxística for dominante.
do sulco póstero-lateral, os potenciais evocados Após traumatismo vertebromedular pode sur-
podem auxiliar a delimitar o cordão posterior – gir dor de caráter mecânico, radicular ou seg-
pese o fato de na maior parte das situações ser mentar. A drezotomia tem indicação e só influencia
possível traçar o seu percurso na superfície da a dor tipo segmentar e não tem efeito sobre a
medula. dor «infralesional», sobretudo a dor perineal.
Os efeitos sobre a dor são imediatos. O des- Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação.
conforto pós-operatório e a dor incisional são em
regra muito moderados.
As potenciais complicações neurológicas são:
– Lesão da via piramidal homolateral.
– Lesão da coluna dorsal homolateral.
– Lesão da vasculatura própria da medula.
– Lesão de vias reticulares.
A incidência destas complicações é baixa
particularmente no método microcirúrgico
mas deve ser ponderada no planeamento
terapêutico.
As complicações relacionadas com a própria ci-
rurgia, como as fístulas de líquido cefalorraquidiano
(LCR) e as infeções, embora tratáveis, represen-
tam uma causa de mais internamento, de mais
imobilização, e de mais traumatismo.
Indicações clínicas
Nos casos de dor segmentar ou regional mui-
to intensa e incapacitante, a drezotomia deve
ser considerada como uma boa alternativa tera-
pêutica. A drezotomia é razoavelmente segura,
DOR de ação rápida, e é razoavelmente confortável.
A drezotomia é tão circunscrita que se falhar não
18 prejudica a posterior realização de outras técnicas. Figura 4. Atrofia radicular.

