Page 13 Volume 11, Número 4, 2003
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Que articulação possíveis perdas que daqui podem decorrer. Os
Um dos pontos em que o documento é me- meios informáticos, com a utilização da Internet
nos específico é no tipo de articulação entre os (correio electrónico), pecam pela incapacidade
diversos níveis de cuidados para uma melhor de garantir a confidencialidade dos dados e
acessibilidade em tempo útil. Os doentes po- pela impossibilidade de garantir que os dados
derão ter necessidade de uma resposta rápida e chegam em tempo útil ao seu destino.
os serviços deverão ter capacidade de lha dar. A telemedicina vem trazer uma mais valia ao
É certo que se prevê a protocolarização da tratamento da dor sem deslocamento do doen-
acessibilidade, mas será necessário ter em te até necessitar de meios de diagnóstico e de
atenção que só com uma completa informação, tratamento mais diferenciados. Mesmo nestes
pensando numa acessibilidade escalonada aos casos, facilitaria a definição de prioridades. É
serviços, poderemos manter a qualidade. evidente que mesmo com este meio terá de
haver protocolos para que o resultado não seja
Qual o papel dos cuidados primários uma amálgama de intercâmbios desorganizados
que apenas ocupam o tempo dos profissionais
Mas como poderemos antever o papel dos sem obter lucro com a actividade.
cuidados primários neste organigrama? Será Embora já muito próxima no tempo, ainda há
que aos médicos de família apenas cumprirá alguns pontos que têm de ser meditados por
a missão de detectar e encaminhar os doentes todos os intervenientes para que possa dar os
para as unidades de dor? Se aceitarmos esta so- frutos que se desejam.
lução vamos correr o risco de sobrelotação dos
serviços com uma marcada redução de acessi- Conclusão
bilidade e uma impossibilidade total de garantir
o escalonamento das necessidades. Os cuidados de saúde primários, pela proximi-
Uma das possibilidades que se põe no con- dade que têm do doente e da sua família, são os
texto do actual plano é dar formação específica técnicos que mais capacidades terão para ser a
a grupos de clínicos gerais mais motivados para porta de entrada no sistema que se quer criar no
este trabalho e promover a criação de unidades Plano de Luta contra a Dor. Para isso, necessitam
básicas nos centros de saúde que poderiam es- de ter formação específica bem elaborada (se-
tudar até um certo nível os doentes, empreender gundo os parâmetros definidos no próprio plano),
tratamentos segundo protocolos estabelecidos inicial e com actualizações periódicas.
com as unidades de dor dos hospitais da zona A articulação entre diferentes níveis de pres-
geográfica a que pertencem e encaminhar os tação de cuidados a doentes com dor é o pon-
doentes que mais necessitam da consulta da to fulcral do sucesso deste plano e tem de ser
unidade da dor, de uma forma escalonada pelas estudado por todos os intervenientes para que
necessidades do doente. seja eficaz.
Além de uma melhoria da acessibilidade e de Por fim, mas não menos importante, há a ne-
uma melhoria da qualidade haveria uma redução cessidade de promover programas de garantia
acentuada de custos para instituições e doentes. de qualidade em todos os níveis, não com o fim
Mas para que esta hipótese se possa con- de penalizar os intervenientes mas para permitir
cretizar é necessário que a articulação, a que que eles sejam capacitados em áreas específi-
me referia anteriormente, seja fluida e bem de- cas melhorando a sua performance.
finida e que seja possível promover formação
adequada aos médicos de família que integrem Bibliografia
este projecto. 1. International Association for Study of the Pain. Classification of
chronic pain: descriptions of chronic pain syndromes and defini-
Papel da telemedicina tions of pain terms. Em: Merskey H (ed). Pain 1986;Suppl 3:1-226.
2. Ribeiro JL. Psicologia e saúde. Lisboa: ISPA 1998.
Se a articulação se tem de basear num 3. Chapman CR, Bonica JJ. Chronic pain (current concepts). Kalama-
perfeito registo dos acontecimentos, atitudes zoo MI. The Upjohn Co 1985.
e evoluções e uma comunicação estreita en- 4. Organização Mundial de Saúde. A dor crónica de origem não ma-
ligna. Ministério da Saúde / Direcção Geral da Saúde 2001.
tre os profissionais dos diferentes níveis para 5. Mitchell S. Pain biggest US Health Problem. Consultado in http:
evitar repetições de exames, duplicação dos //www.nlm.nih.gov/medlineplus/news/fullstory_14094.html em 10/10/
mesmos medicamentos e discursos diferentes 2003.
sobre o mesmo assunto, temos de promover 6. Direcção Geral de Saúde. Plano Nacional de Luta contra a Dor.
Lisboa: Direcção Geral de Saúde 2001.
um método de troca de informações. O método 7. Ministère de l’Emploi et de la Solidarité et Ministère Délégué à la
clássico pode ser usado mas é dificultado pela Santé. Le Programme de Lutte contre la Douleur. Paris 2001.
necessidade de ter um intermediário que trans- 8. Paulino M. Valorização psicológica no doente com dor crónica.
Em: Portela JL, Aliaga L. Dor crónica rebelde. Lisboa: Permanyer
porte a informação (doente, família, etc.) com as Portugal 1994:3-21.
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