Page 16 Volume 17 - N.2 - 2009
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L.M. Cunha Batalha, et al.: A Utilização de Anestésico Tópico na Triagem da Urgência Pediátrica: Estudo dos Critérios Preditivos da Punção Venosa
Quadro 4. Crianças puncionadas, motivos e tempo que medeia entre a triagem e a punção
Total de crianças puncionadas N (%) 221 (5,9)
Tempo decorrido entre a triagem e a punção em horas e minutos, quartil 25,50,75 (máx/mín) 1:12,1:50,2:43 (0:05-11:01)
Situações mais frequentes de punção N (%)
Vómitos incoercíveis 44 (19,9)
Febre > 5 dias 26 (11,8)
Febre com má perfusão e/ou gemido e/ou irritabilidade/prostração 25 (11,3)
Previsão de administração de medicação endovenosa (celulites, otomastoidite,
artrite séptica…). 21 (9,5)
Sinais de desidratação (moderada a grave) por vómitos e/ou diarreia 18 (8,1)
Sinais de doença em criança com HM de alto risco 14 (6,3)
Sintomatologia sugestiva de apendicite (ex.: dor abdominal, vómitos e febre) 11 (5,0)
Convulsões complexas ou convulsões em criança medicada com anticonvulsivantes 9 (4,1)
Comportamento anormal (prostração, sonolência, irritabilidade, desorientação, ataxia…) 6 (2,7)
Referenciado para esclarecimento de diagnóstico (anemias, leucemias, 5 (2,3)
doença metabólica…)
Dispneia grave 5 (2,3)
Febre com petéquias 4 (1,8)
Outras 33 (14,9)
Quadro 5. Crianças puncionadas e não puncionadas em função do método de identificação
LC iC
Puncionado Puncionado
Sim Não Sim Não
Punção prevista, n (%)
Sim 195 (5,2) 220 (5,8) 153 (4,1) 196 (5,2)
Não 26 (0,7) 3.327 (88,3) 68 (1,8) 3.351 (88,9)
primeiro contacto do enfermeiro com a criança. afluência de crianças que sobrecarregou de tra-
Num SU, isso ocorre normalmente quando este balho os enfermeiros. Não é de desprezar igual-
faz a triagem. Esta prática permite dissipar me- mente ainda a pouca motivação de alguns ele-
dos e receios e ganhar tempo necessário para mentos para a participação no estudo. Este
se ter uma acção analgésica eficaz, como acon- aspecto foi identificado no decurso do pré-teste
tece com alguns analgésicos tópicos. Esta prá- e, apesar das simplificações introduzidas no
tica não impede que se faça um adequado diag- protocolo de colheita dos dados, mais de um
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nóstico e tratamento da doença . terço das crianças não foi incluída no estudo.
A colocação de cateteres venosos e a realiza- Este facto indicia que ainda há um caminho a
ção de colheitas de sangue são procedimentos
dolorosos vulgarmente realizados em crianças
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num SU . A aplicação de anestésicos tópicos
tem sido uma prática de cuidados de excelência Quadro 6. Comparação da validade e valores preditivos
e que deve ser incentivada pela aplicação de segundo o método de identificação
protocolos que maximizem o controlo da dor LC (%) iC (%) P
sem aumentar o tempo de espera e custos.
Das 5.980 crianças que recorreram ao SU no Sensibilidade 88 69 < 0,001
período em que decorreu o estudo, a 2.212 (37%) Especificidade 94 94 > 0,05
não foram colhidos dados. Esta situação resul-
tou de crianças que em situação crítica passam VPP 47 49 > 0,05 DOR
directamente para a sala de reanimação sem ser
realizada a triagem e de períodos de grande VPN 99 98 > 0,05 15

